Mais um momento importante da Campanha Salarial 2024, fundamental
como espaço de
reflexão coletiva e de consolidação das estratégias de luta e da organização da
categoria, ajudando a fortalecer ainda mais a posição da Fepesp (Federação dos
Professores do Estado de São Paulo) e dos sindicatos por ela representados na mesa de
negociações, diante da intransigência patronal. Assim foi a assembleia do
Ensino Superior realizada na quinta-feira, dia 23 de maio, com presença de professoras e
professores de diferentes instituições de ensino - como faz questão de ressaltar Celso
Napolitano, presidente do SinproSP. Ele completa: "Reafirmamos a defesa das nossas
pautas. Queremos a reposição da inflação do período, mais 2% de aumento real,
além da definição do piso salarial e do regramento das disciplinas a distância em cursos
presenciais. São questões fundamentais para a categoria. E a hora de avançar é agora".
Convicta da importância dessa luta e numa sinalização política significativa, e
quase por unanimidade (97% dos votos), a assembleia aprovou o estado de greve.
Em sua fala inicial, Celso fez uma breve
retrospectiva das negociações neste ano, destacando
mais uma vez o jogo de cena, a insensibilidade e intransigência da representação patronal,
que finge não ouvir as reivindicações da categoria e bate o pé na proposta indecente de
oferecer oficialmente apenas a reposição inflacionária, ignorando por completo as demais
questões (aumento real, piso e EAD). "Com 90% dos votos, a assembleia, com a
orientação da diretoria do Sindicato, rejeitou de forma acachapante essa proposta do
Semesp. Trata-se de desdém, de uma postura de quem pretende continuar apostando na
precarização do trabalho docente, notadamente assumida pelas grandes corporações
mercantis, mais interessadas na redução de custos, preocupadas apenas com as
altas e baixas das ações no mercado financeiro e os bônus e gratificações que podem
alcançar", avalia Celso.
Desta vez, no entanto, ao contrário das
tormentas que vivemos em anos anteriores, o
cenário é bastante diferente e equilibra o jogo: todas as cláusulas sociais da nossa
Convenção (férias coletivas, recesso, bolsas de estudos, plano de saúde e garantia
semestral de salários, entre outras) estão garantidas até fevereiro de 2025,
graças à mobilização da categoria e à ação do Sindicato, na longa e vitoriosa campanha do
ano passado. Esse cenário traz mais segurança e afasta a possibilidade de ameaças de "vamos
tirar isso, vamos tirar aquilo" - prática que Celso chama de "bullying negocial". "Dessa
vez, essas bravatas não têm efeito", reforça.
Com 90% das cláusulas asseguradas, a zona
de conflito se concentra nas três questões
que estamos defendendo. O aumento real, explica Celso, ajudará a recuperar
perdas que aconteceram ainda na época da pandemia. Já o piso é fundamental para estancar o
rebaixamento salarial, as demissões em massa e a alta rotatividade de docentes,
estabelecendo um valor mínimo e decente para quem desejar ingressar na carreira. Por fim, o
regramento da EAD colocará barreiras ao excesso de trabalho, ao ensalamento e a turmas que
são formadas sem qualquer critério pedagógico ou preocupação com a qualidade acadêmica,
misturando de forma selvagem inclusive períodos e cursos.
"Estamos agora amparados e protegidos
pela Convenção assinada no ano
passado. Vale lembrar que o compromisso em acertar piso e EAD foi firmado
também em 2023. Os patrões mais uma vez enrolaram. E precisam agora fazer valer a palavra
empenhada. É o que exigimos. Vamos aproveitar as condições que limitam a zona de conflito
para avançar nessas questões fundamentais. É a nossa pauta. Vamos defendê-la", insiste
Celso.
A aprovação do estado de greve manda um
recado ao Semesp, sobe a temperatura, mostra
a disposição de luta da categoria e fortalece ainda mais a mobilização. Os
carros de som continuarão nas ruas, denunciando a intransigência do sindicato patronal.
Visitas às salas de professoras e professores serão reforçadas agora no mês de junho, para
conversar com as e os docentes e levar material da campanha. Está sendo definido um
calendário de panfletagens nas portas de diversas instituições de ensino, em articulação com
entidades estudantis. Os vários canais de comunicação do Sindicato reforçarão o fluxo
permanente das informações. É fundamental o engajamento de professoras e professores nessa
rede solidária e potente. Cada contato e conversa vale muito. Sugestões, dúvidas,
solicitações de material e pedidos de visitas podem ser encaminhados para o e-mail
superior@sinprosp.org.br.
"Esperamos avançar nas negociações, durante o mês de junho. Caso a
representação patronal permaneça irredutível, convocaremos nova assembleia, para avaliar a
possibilidade de greve", finaliza Celso.
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