Ensino superior

Laureate volta a demitir em massa. SinproSP quer reintegração

Atualizada em 13/05/2020 18:29

Atualizado em 15/05/2020, às 14h20

Em tempo: acesse aqui a inicial do dissídio coletivo contra a Laureate 

Em meio à pandemia, o grupo Laureate deu mais uma contribuição para aumentar a tragédia: demitiu mais de 120 professores que lecionavam na EaD. O SinproSP foi à Justiça tentar anular as dispensas porque considera inaceitável , ainda mais neste momento.

Essas demissões não têm nada a ver com a situação econômica ou outros problemas conjunturais. Elas ocorreriam com ou sem pandemia porque, infelizmente, a dispensa massiva tornou-se a grande especialidade da Laureate há pelo menos três anos. Ela é parte de um processo de reestruturação cruel em todas as instituições do grupo econômico (Anhembi, FMU-FIAM-FAAM), com o único objetivo de reduzir os custos e aumentar os lucros.

Redução da grade curricular, ensalamento, substituição de aulas presenciais por atividades a distância e demissão em massa de professores são os pilares desta reestruturação, que tem como resultado a queda na qualidade de ensino e uma crescente precarização do trabalho.

Mas os cortes de agora têm outros agravantes, já que ocorre durante a pandemia, quando as atividades letivas a distância aumentaram, e em meio à denúncia publicada pela Agência Pública sobre o uso de robôs no lugar de professores pela Laureate  para correção de provas, sem o conhecimento dos alunos.

É bom lembrar: a Laureate já tinha demitido 70% dos professores de EaD no final de 2018. Essas demissões acabaram gerando, a pedido do SinproSP, audiências públicas na Assembleia Legislativa, requerida pelo deputado Carlos Giannazi (PSol)  (veja aqui) e na Câmara dos Deputados, requerida pelo deputado federal Orlando Silva (PCdoB/SP). Esta última, foi realizada em São Paulo pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (veja aqui).

Ora, o EaD já vinha sendo realizado com poucos professores. Quem, então, dará aulas daqui pra frente? Os mesmos robôs que corrigem as provas? Ou essas aulas serão incorporadas a outras atividades letivas já existentes, sobrecarregando professores do EaD e do presencial e aumentando o lucro da empresa?

Mais uma vez, o SinproSP recorre à Justiça para pedir a reintegração dos professores. Ao demitir num momento em que toda a sociedade está contribuindo para amenizar os efeitos da pandemia, a Laureate age de forma irresponsável e moralmente condenável. É inaceitável.

DEMISSÕES REPERCUTEM NA IMPRENSA:

► Após uso de robôs, Laureate agora demite professores de EAD - Agência Pública, 13/05/2020

► Depois de colocar robôs para ensino, Laureate demite 120 professores - Folha de S. Paulo, 14/05/2020